Valéria Farias é pós-graduada em Marketing de Turismo pela Universidade Federal de Brasília – UNB. Formada em administração de empresas é especializada na gestão empreendimentos turísticos no setor de Eventos e Hotelaria. Ao longo dos mais de 15 anos de atuação profissional foi diretora no Centro de Convenções da CNTC em Brasília, Arrendatária do Hotel Casablanca e Gestora do contrato de licitações de eventos da Caixa Econômica Federal por cerca de 05 anos. Atualmente, é CEO do Grupo Like Ü Home Sweet Hotel, em Brasília/DF, primeiro hotel do DF com certificação internacional Lixo Zero e com práticas ESG implementadas. É vice-presidente da Câmara de Turismo da Fecomércio DF, associada à ABIH-DF, diretora no Sindeventos e Diretora de Hotelaria no Sindhobar-DF.

Por muito tempo, achei que o objetivo de minha empresa se restringia somente ao resultado financeiro. Acreditava que os negócios deveriam nascer com essa única perspectiva: ser rentável. Ao longo desses anos, percebi que estava completamente equivocada. Foram inúmeros os projetos fracassados em minha jornada empresarial. Era difícil entender a razão do problema, uma vez que, em meu pensamento, as ideias eram criativas, originais e conectadas com as necessidades do mercado consumidor. A pergunta não saia de minha cabeça: Onde erramos? Embora seja óbvia a resposta, foi difícil chegar nela. Meus negócios estavam nascendo sem propósito real. Precisava olhar para as contribuições que meu serviço deixaria para a sociedade. Hoje, não só aqui, mas no mundo, as pessoas procuram não só produtos ou serviços, elas desejam abraçar causas e estão dispostas a pagar por isso.

Hoje, existe uma preocupação mundial em torno de temas importantes a nosso planeta. A sustentabilidade socioambiental passou a compor a equação do mercado. Recordo-me que, no ano de 2021, a Europa fechou as portas para produtos brasileiros. A razão estava na fragilização do controle ambiental de nosso país por parte das autoridades competentes. O curioso é que o movimento não partiu das grandes empresas europeias e sim de seus consumidores. A mensagem era clara: boicotamos produtos de países que degradam o meio ambiente. Essa campanha acendeu um sinal de alerta em nossas empresas. Não havia mais como produzir sem se atentar para nossas responsabilidades com o meio ambiente e com a sociedade. Nesse contexto de novas exigências, surgiram empresas e projetos focados em causas ambientais e sociais.

Vou contar um pedaço de minha história empreendedora na sustentabilidade. Olhando para isso, para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e para uma grande motivação interna, iniciei a mudança em meu negócio. O setor de hotelaria é um dos mais desafiadores. Lidamos com os mais diversos públicos com níveis de exigência diferenciados. Em busca de fazer a diferença e tornar a experiência de nosso hóspede mais significativa e carregada de propósito, implantei o projeto Lixo Zero em meu hotel. O começo não foi fácil. Sabia que necessitava mudar a cultura interna e chegar até nosso cliente de maneira natural. Todo o processo levou 1 ano. Os resultados estão refletidos nos números, na satisfação de nossos hóspedes e na proteção ao meio ambiente. Hoje, somos o único hotel de Brasília com a certificação internacional do lixo zero. Iniciativas, como a minha, vão ao encontro das metas globais e colaboram para deixar o planeta mais seguro para todos. Em resumo, empreender, hoje, é olhar para as causas que tornam nossa sociedade melhor e a sustentabilidade é um desses caminhos.

Grandes, médias e pequenas corporações incorporaram práticas sustentáveis em suas atividades como forma de contribuir para reduzir os danos causados pelo processo de industrialização e modernização da economia global. E isso tem reflexo direto no lucro. A nova revolução está em crescer com compromissos socioambientais. É possível desenvolver economicamente um país sem que isso traga efeitos colaterais danosos à natureza.

Para se ter uma ideia do potencial financeiro, a economia verde tem o potencial de aumentar o PIB do Brasil em até US$ 430 bilhões até 2030. Essa oportunidade deve ser capturada pelas empresas. Para isso, primeiro passo é a conscientização, que começa na liderança, posteriormente a mobilização e, finalmente, a colheita dos frutos. É preciso pensar grande, começar pequeno e agir rápido. O mundo não pode mais esperar. Ser sustentável é o negócio!