O financiamento de projetos envolvendo resíduos sólidos depende de sustentabilidade econômica, estabilidade e previsibilidade. A opinião é do assessor especial da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República, André Oliveira de Araújo, que participou hoje de debate sobre o tema no segundo dia da II CIRSOL (Conferência Internacional de Resíduos Sólidos e Saneamento). O evento acontece em Brasília até o dia 29, sexta-feira.

Com o tema “Financiamento de Resíduos Sólidos”, Araújo lembrou que hoje há 20 projetos em andamento no Brasil e 30 em espera para iniciar. “Sem viabilidade econômica” e o apoio de recursos dos bancos, que precisam de garantia nos empréstimos, “os projetos vão parar”, afirmou o assessor da Presidência.

Um outro problema dificulta os projetos na área de resíduos, conforme Pedro Alves Duarte, assessor técnico do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República.  “Enfrentamos um problema muito sério. O mesmo aterro cobrando tarifas diferentes dos municípios. Não há muito critério”, afirmou.  

Universalização do saneamento

No painel sobre “A universalização dos serviços de saneamento com sustentabilidade social, ambiental e econômica”, também hoje, foram discutidas alternativas viáveis para alcançar esse objetivo. 

"O grande desafio que enfrentamos hoje é conseguir universalizar os serviços de saneamento garantindo não apenas a efetiva prestação no abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos e drenagem urbana, mas fazendo isso com sustentabilidade em sentido amplo. Não basta chegar a todos os subsistemas do saneamento básico se não conseguirmos manter essas operações de forma sustentável social, ambiental e economicamente”, afirmou Giuliana Talamini, gestora de sustentabilidade e especialista em saneamento ambiental

Para o professor Duarcides Mariosa, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da PUC, SP, “uma das principais dificuldades que vivenciamos no país é a enorme diferença entre os territórios urbanos e rurais no que se refere ao manejo hídrico sustentável, infraestrutura sanitária e administração de resíduos”. 

Conforme ele, “enquanto nas metrópoles possuímos estruturas centralizadas para tratamento de água e efluentes – sem considerar, é claro, os setores carentes, como algumas favelas -, nas localidades rurais ainda nos apoiamos predominantemente em alternativas individualizadas como captações subterrâneas e sistemas sépticos, que frequentemente carecem de manutenção apropriada”.